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  • Federação Nacional dos Estudantes dos Cursos do Campo de Públicas

As Reformas que devemos (T)temer

*Luiz Guilherme M. C. P. Guimarães


"Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar" [1] Machado de Assis - em Memórias Póstumas de Brás Cubas

 

            A ironia machadiana em Brás Cubas é incrivelmente aplicável às mais diversas

frases já enunciadas de muitas figuras importantes da elite política e de muitos Ministros - no passado, no presente e, provavelmente, no futuro - no Brasil. Infelizmente essa argumentação de que o "remédio é amargo, porém resolve o problema" ou de que sempre a situação piora antes de melhorar é uma falácia.

 

            A economia é imprevisível; é impossível prever o comportamento de algo tão

abstrato e tão multicolinear como a economia, por mais que as técnicas das ciências

exatas voltadas ao cenário econômico continuem sendo desenvolvidas e aprimoradas.

Portanto o comportamento de uma população é também incerto em relação a um futuro que como a economia, também é imprevisível. Em um contexto de reformas estruturais em pontos estratégicos do país para sanear o déficit orçamentário atual, as alterações preocupam as mais diversas camadas sociais. Para reaquecer a economia essas reformas precisam ser pensadas sob diversos aspectos e posições, é imprescindível o diálogo democrático para construir uma reforma mais sensata, não apenas pela legitimidade das mudanças mas pela intenção de reduzir os danos à população.

 

            O governo atual tem baixíssimos índices de aprovação, não somente por conduzir reformas ditas impopulares - não cabe aqui pensar nas circunstâncias em que esse governo estabeleceu-se no poder, em fim... - sem dialogar com a população, não por qualquer traço de populismo, mas porque a democracia só é plena quando os assuntos cruciais para uma nação são devidamente e extensamente deliberados. É necessário frisar que o consenso jamais existirá acerca dessas reformas, porém a legitimidade só seria possível se a população fosse devidamente informada dos múltiplos impactos que essas reformas podem causar.

 

            Os escândalos e corrupção tornam um pouco árduo deliberar sobre matéria

impopular como as reformas, o ideal é que se deixasse para 2018 onde uma nova agenda e um governo novo possam deliberar sobre esses assuntos de uma forma mais efetiva e consensual com a população. Dito isso é preciso colocar que as eleições para a

Presidência da República e para os demais cargos Federais, tratando-se de um país

centralizado, precisam de uma figura política que entenda de economia e que esteja

preocupada com a sociedade, uma vez que não há economia saudável sem uma

sociedade em bem-estar social e com condições de consumo e compra.

 

            A intenção de o Brasil retomar o crescimento econômico e o rumo do

desenvolvimento, permite afirmar que é mais do que factual que são necessárias essas

reformas; enquanto o país continuar em déficit orçamentário, maiores serão as incertezas para a população e mais distante o Investimento ficará da economia brasileira, seja tal Investimento oriundo de capital nacional ou externo.  As reformas, se bem feitas e planejadas, poderiam trazer a expectativa de volta ao Brasil.

 



 

 

Precisamos deixar de ser um país rentista

 

            Os investimentos no Brasil poderiam ter um patamar e um impacto melhor, se o

Brasil não fosse cercado por determinados grupos que gostam e flertam com o rentismo. Infelizmente o Brasil é um país que cresce a tesouro direto; os juros altos - mesmo reduzidos agora entre 9 e 10% - fazem com que o investimento seja mais rentável ao comprar títulos do que abrir empresas e contratar funcionários. Obviamente é também preciso apontar que os altos juros impactam no caráter de empréstimos e consumo no Brasil, talvez seja necessário encontrar um ponto de equilíbrio onde seja proveitoso e lucrativo aos bancos, bem como sustentável e proveitoso a população como um todo.

 

            Precisamos que a elite do país entenda que pode lucrar melhor sem precisar

sufocar uma população, porque depende dela para trabalhar e consumir, é preciso pensar mais à longo prazo no Brasil, e, mais do que isso, saber dialogar com a população.  Deixar de ser um país rentista talvez seja tão importante quanto fazer essas reformas no Brasil, essa cultura do rentismo retorna o país a um capitalismo do século XIX e reforçado pelo caráter antiquado das instituições no Brasil; esse país não está preparado para o modelo de capitalismo atual, e não é só a reforma da previdência e a reforma trabalhista que vão resolver esses problemas.

 

            Entendendo o rumo da incerteza que é o de uma economia, seja no Brasil, seja em qualquer outro país, é importante construir políticas econômicas e reformas para diminuir essas incertezas e garantir a estabilidade econômica e social do Brasil. As reformas trabalhista e da previdências são imprescindíveis para que o Brasil retome o Crescimento Econômico, o Investimento e o Desenvolvimento Socioeconômico; porém é importante ressaltar que da maneira em que o atual governo encaminha essas mesmas reformas, sem qualquer traço de diálogo com a população, não trará, possivelmente, os resultados esperados. Também, precisamos repensar essa cultura preguiçosa do rentismo para que o Brasil seja um país capitalista de verdade, e possa dar azas aos empreendedores que existem nesse país, mas que são sufocados por essa imperícia econômica atual.

 


 

[1] ASSIS, Joaquim Maria Machado de. disponível em

<http://www.ibiblio.org/ml/libri/a/AssisJMM_MemoriasPostumas/node39.html>


*Luiz Guilherme M.C.P. Guimarães

Atualmente é aluno do 5º Semestre de Administração Pública da FGV - EAESP

E é Co-fundador da página Provocações BR

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